Parece que passei uma semana fora! Tô me sentindo alienada total. Mas, depois de um evento da faculdade e uma tarde de estudos e comilança com 2 pessoas agradabilíssimas, eis que me deparo com o texto mara no blog da Natasha fofa. Copiei na caradura. Lá vai…
De todas as ilusões humanas, a idéia de andar só ou andar acompanhado é a que mais me fascina. Não importa que idade você tenha, ou quanto Nietzsche de verdade tenha lido em sua vida. Não importa o quanto você saiba que está sempre sozinho em suas decisões. Não importa o quanto você saiba que seu mundo interior é o único mundo que você realmente pode conhecer, e ainda assim com imensas restrições.
Difícil é aceitar que, embora o mundo exterior seja concreto, seus significados não passam de fantasmagoria. Você não pode acessar os mistérios de outro ser humano, a não ser pela observação dos gestos e pela interpretação destes gestos a partir de seu próprio mundo interior. Todo movimento que fazemos, como seres humanos, é sumariamente imaginário – e só ocorre a partir do único referencial que conhecemos, o nosso íntimo.
O amor é um destes lugares da imaginação em que recriamos a ilusão de não estarmos sós. Não falo da relação concreta que envolve o amor, com suas grandes maravilhas e seus pequenos desastres (ou, às vezes, pequenas maravilhas e grandes desastres). Falo do sentimento que nunca pode ser inteiramente expressado porque é de uma riqueza inacessível para o outro. O amor é um daqueles lugares do indizível, porque não há palavra, imagem ou gesto suficientemente preciso para representá-lo. Não há vocabulário ou acervo capaz de fazer o outro compreender o quanto de amor há ali. Por isso repetimos tanto e de tantos modos diversos, tentando cercar o outro de uma soma constante do nosso amor.
No entanto, por mais que exista um outro a quem amar, e que ele seja merecedor do nosso cuidado e do nosso tempo, a maior façanha do amor é esta ondulação interna que ele provoca – esta sensação de estar pleno de sentimentos fortes, intensos, reais. A sensação de estar vivendo. Na expressão do amor, podemos ser mais ou menos generosos, mais ou menos dedicados, mais ou menos criativos. Não importa. O que importa é esta qualidade que nos conferimos ao amar alguém. Quando digo “você é especial” – por palavras, gestos ou olhares silenciosos -, estou dizendo “você é especial para mim, sou eu que te faço assim”. E, se sou capaz de te fazer especial, é porque tenho esta riqueza interna inigualável.
Somos todos passionais. Uns mais, outros menos. Uns gritam suas angústias, pedem explicitamente, atacam o objeto de amor. Uns esperam, recolhem, se encolhem. Seja como for, é um mundo intenso que está sendo vivido e experienciado. O mundo interior do qual partimos para todas as nossas aventuras e ao qual sempre retornamos muitas e muitas vezes, sempre com mais bagagem e coisinhas a guardar.
Adorei o texto e acho que reflete muito a minha situação atual, essa descoberta contínua do que é o “eu” e do que é o “nós” num relacionamento. Daí me veio a frase de uma música do Keane “when we fall in love we’re just falling in love with ourselves” – faz TODO sentido.